A anestesia moderna, devido aos avanços tecnológicos, segurança dos agentes anestésicos, treinamento dos anestesistas e correto preparo do paciente, deve proporcionar o máximo de conforto e principalmente segurança.
Em cirurgia plástica, em virtude da maioria das cirurgias serem programadas, é inadimissível qualquer outro tipo de risco ou desconforto cirúrgico secundário a preparo inadequado do paciente ou falta de infra-estrutura. Uma das grandes preocupações relatadas pelos candidatos a uma cirurgia plástica diz respeito ao tipo de anestesia e seus riscos.
É comum algumas pessoas afirmarem para o cirurgião consultado que, que da cirurgia não tem qualquer receio, porém estão bastante receosas quanto à segurança da anestesia. Com certeza se pode afirmar que estas preocupações têm sua base em dois pontos: o primeiro, relacionado com as reações ao anestésicos que eram apresentadas pelos pacientes submetidos à anestesia geral, há não muito tempo: 30,40 anos atrás. Naquela época, a anestesia era realizada com clorofórmio, éter, trilene e outros produtos que apresentavam, além de pouco controle no nível anestésico, um grau elevado de toxicidade, sensibilização crítica da fibra cardiáca, efeito residual excessivamente prolongado e um terrível mal-estar no pós-operatório. Vômitos eram quase uma constante, criando muito desconforto para o paciente e muita preocupação para o cirurgião. Muitas hemorragias e rupturas de pontos de sutura surgiram em decorrência dos episódios de vômitos, às vezes bastante intensos.
Contudo, era o que existia na época e ainda bem que existiam tais anestésicos. Afinal, sem eles muitas cirurgias jamais teriam sido realizadas. Mas qual é a realidade da anestesia, hoje?
Não se pode negar os grandes avanços ocorridos nesta área, nos últimos anos. Aparelhos altamente sofisticados são capazes de monitorar quase todas as funções básicas do organismo humano, durante ma anestesia. Medicamentos com um máximo de eficiência e um mínimo de efeitos colaterais negativos, foram desenvolvidos. Hoje, dificilmente um paciente irá apresentar mal estar, vômitos e demorada prostação após uma anestesia bem conduzida, para uma cirurgia plástica. Quase todos os pacientes estão praticamente acordados e alertas alguns minutos após o final de uma cirurgia.
Contudo não se pode dizer que isso ocorrerá em 100% dos casos, em absolutamente todos os pacientes. Cada um tem a sua história pessoal, cada um tem reações diferentes e algumas surpresas podem ocorrer. Mas a diferença entre hoje e alguns anos atrás é realmente fantástica. A segurança e a tranquilidade de uma anestesia é imcomparavelmente maior.
Um ponto, porém precisa ser ressaltado: com toda essa segurança, de forma alguma deve o cirurgião se descuidar de uma correta avalição pré-operatória e pré-anestésica do seu paciente. A cirurgia plástica não é um simples tratamento cosmético que pode ser indicado e realizado em qualquer local e de qualquer forma. Esse, aliás, é um dos grandes problemas dessa especialidade, que leva alguns poucos profissionais a se descuidarem, realizando tais cirurgias em ambientes e condições inadequadas, daí surgindo complicações que podem comprometer toda a seriedade da cirurgia plástica e da anestesia.
Toda a segurança de uma anestesia e de uma cirurgia está embasada, prioritariamente, num exame clínico minuncioso e bem feito, nos pacientes que serão operados. Se tudo está absolutamente bem, é quase certo que não haverá qualquer complicação. Nem por isso pode-se dizer que "não existem riscos". A vida , em si já é um risco. Portanto não há nada que se faça neste mundo, que não tenha sua parcela de risco. O importante é saber disso e tomar todas as medidas necessárias para reduzi-lo a um mínimo tolerável. Também não se pode esquecer, nem deixar de falar claramente ao paciente que, se a anestesia geral apresenta riscos, também a peridural tanto quanto a local têm seus riscos.
Essa informação é importante porque muitas pessoas acreditam que a anestesia local não tem qualquer problema. Há que se informar que qualquer procedimento invasivo, assim como uma simples injeção no músculo, de um antibiótico ou analgésico, podem ser até mesmo fatais. Entretanto, aqui como em qualquer outra situação, se tomados os cuidados devidos, tais riscos serão reduzidos a níveis baixíssimos e perfeitamente aceitáveis. Alguns pacientes, mesmo com todas essas informações ainda questionam a possibilidade de não se submeterem a uma anestesia geral.
Procuram alternativas: anestesia local ou peridural. Como se situar então?
A escolha do tipo de anestesia está relacionada, inicialmente, com o tipo de cirurgia a ser realizado. Existem aquelas onde a anestesia geral é praticamente a única ou principal escolha. Como por exemplo, a reconstrução mamária pós-mastectomia, com retalho abdominal. Por sua extensão e até mesmo pelo tipo de paciente que estará sendo submetida a esse tipo de tratamento, a anestesia é praticamente a única opção. Existem também aquelas onde uma anestesia peridural tem a preferência, como as realizadas no tronco e nos membros inferiores. Por exemplo, as abdominoplastias e as grandes lipoaspirações de abdômen, flancos e coxas.
Como também existem aquelas onde a anestesia local tem a preferência. Exemplos são as cirurgias de pálpebras. Contudo, em quase todas elas existem as duas possibilidades: geral ou local. Nesses casos, a escolha deverá ser feita através de uma detalhada conversa entre o cirurgião e o paciente, e incluindo o anestesiologista que poderá opinar melhor, em função da cirurgia a ser realizada e as condições gerais do paciente.
Resumindo, a escolha da anestesia não pode ficar restrita ao desejo do paciente e sim deverá ser o resultado de uma avaliação física e psicológica do mesmo, pelo cirurgião; de uma análise criteriosa do tipo de cirurgia a ser realisado, seu tempo de duração, sua complexidade e as estruturas que serão abordadas e mobilizadas; e da indicação do anestesiologista que, bem articulado com o cirurgião estabelecerá o procedimento mais seguro e adequado ao paciente.
Duas outras considerações devem ainda ser feitas: primeiro, com relação ao intervalo entre uma anestesia geral e outra. Alguns pacientes querem fazer duas cirurgias e receiam a repetição da anestesia geral. Como regra geral, não há um intervalo exato para se interpor entre duas anestesias gerais, desde que a primeira tenha transcorrido sem qualquer anormalidade.O elemento essencial será a avalição do paciente e dos procedimentos cirúrgicos que serão realizados. Como princípio, um intervalo de 30 e 60 dias será desejável. Mas nada impede que, dependendo da avaliação acima citada, se faça uma nova intervenção até alguns dias depois da primeira.
A segunda, também importante, diz respeito aos honorários do anestesista, especialmente em procedimentos associados.
É comum pacientes questionarem por que os honorários referentes à anestesia são aumentados quando ocorrem dois ou mais procedimentos cirúrgicos. Afinal, perguntam eles, não é uma só anestesia? Neste caso, geralmente se utiliza o critério de percentual dos honorários do cirurgião. Que varia de 30% a 40%. Assim, se o cirurgião estabelece seus honorários num valor "X", os do anestesiologista corresponderão de 30% a 40% desse valor. Portanto, se dois procedimentos forem realizados num só tempo, o cirurgião receberá pelas duas cirurgias e o anestesiologista um percentual do total recebido pelo cirurgião.
Isso é bastante justo uma vez que, ao contrário do que muitos pacientes pensam, a anestesia geral não é um medicamento que o médico faz e vai embora para casa. Durante todo o ato cirúrgico ele fica presente, controlando não só as reações do paciente, mas as diferentes quantidades de diferentes medicações que devem ser administradas continuamente para se obter um bom nível de anestésico, com um máximo de segurança. Por isso seus honorários se ampliam proporcionalmente á ampliação do ato cirúrgico. Finalmente é de se salientar que uma anestesia bem feita, por um profissional que goze de confiança do cirurgião, é fundamental para a realização de um bem sucedido ato cirúrgico que proporcione ao paciente o melhor resultado com o menor risco.
E o risco de uma anestesia geral para uma cirurgia programada, quando todos os cuidados foram tomados, é inferior ao de se dirigir um automóvel, da porta de casa no bairro, até o centro de uma grande cidade. Riscos sempre existem, mas ninguém deixa de andar de carro por essa razão. Assim como ninguém deve deixar de fazer um tratamento de que necessita, por causa das fantasias de riscos ou problemas.
ME QUEIMEI DEMAIS, E AGORA? COMO TRATAR QUEIMADURAS SOLAR
Uma vez que a pele já sofreu a queimadura solar, nada vai reverter a ação prejudicial causada pelo sol. todo e qualquer tratamento a ser instituído visa apenas o alívio dos sintomas. ao contrário do que algumas propagandas divulgam, não adianta passar hidratante depois de se queimar com a promessa de manter a pele bonita. O hidratante apenas trará conforto e alívio para a sensação de ressecamento que se segue, mas o mal já está feito, e mais um degrau do envelhecimento cutâneo foi subido.
De qualquer forma, em caso de queimaduras solares intensas, algumas medidas podem ser tomadas para diminuir a dor e a incômoda sensação de calor:
*Para combater o calor usa-se o frio: banhos frios de imersão vão trazer bastante alívio;
*Produtos refrescantes e calmantes contendo calamina, cânfora, mentol, azuleno e aloe vera podem ajudar a diminuir a sensação da pele queimada;
*Para a face, compressas frias com chá de camomila fraco podem ajudar;
*Casos mais intensos, podem necessitar de corticosterióides sob a forma de loção associados alguns tipos de anti-inflamatórios e analgésicos. estes medicamentos devem ser indicados por um médico dermatologista.
ATENÇÃO: Nunca queime novamente a pele que acabou de descascar. Proteja-se intensamente do sol, pois a pele descascada está mais fina e muito mais sensível. O dano causado será ainda maior do que o normal. se você está de férias, já descascou e que voltar à praia, use filtros solares de alta proteção, preferindo os bloqueadores solares.
E lembre-se, prevenir é melhor do que remediar... Da próxima vez não esqueça de se proteger.
De qualquer forma, em caso de queimaduras solares intensas, algumas medidas podem ser tomadas para diminuir a dor e a incômoda sensação de calor:
*Para combater o calor usa-se o frio: banhos frios de imersão vão trazer bastante alívio;
*Produtos refrescantes e calmantes contendo calamina, cânfora, mentol, azuleno e aloe vera podem ajudar a diminuir a sensação da pele queimada;
*Para a face, compressas frias com chá de camomila fraco podem ajudar;
*Casos mais intensos, podem necessitar de corticosterióides sob a forma de loção associados alguns tipos de anti-inflamatórios e analgésicos. estes medicamentos devem ser indicados por um médico dermatologista.
ATENÇÃO: Nunca queime novamente a pele que acabou de descascar. Proteja-se intensamente do sol, pois a pele descascada está mais fina e muito mais sensível. O dano causado será ainda maior do que o normal. se você está de férias, já descascou e que voltar à praia, use filtros solares de alta proteção, preferindo os bloqueadores solares.
E lembre-se, prevenir é melhor do que remediar... Da próxima vez não esqueça de se proteger.
Aniversário do blog Portal Terra Brasil
Aqui deixo, a minha gratidão para todos os leitores e leitoras, que visitaram, que visitam e ainda vão visitar este blog. É você, que me dá motivo para continuar firme e forte nesta luta, como você sabe, não é nada fácil sobreviver nesta grande competição do mundo virtual no meio de tantos blogs e sites de boa qualidade.
Espero poder continuar por mais alguns anos, nesta grande jornada de informação; conto com a sua ajuda e a ajuda de todos os leitores(as) deste Brasil e do mundo, que me dão motivo para seguir em frente. Mais uma vez, o meu muito obrigado. Desejo à todos muita paz, prosperidade e saúde. Parabéns ao blog Portal Terra Brasil e Parabéns à todos os leitores e leitoras, vocês merecem.
A INFÂNCIA E A CIRURGIA PLÁSTICA ( DR.ANDRÉ PREVITALI) CIRURGIÃO PLÁSTICO
Por um desvio de raciocínio, a cirurgia plástica vem sendo cada vez mais divulgada como se dicotomizada em "cirurgia estética" e "cirurgia reparadora". Contudo, se reportarmos à sua origem, só existe uma cirurgia plástica: seu nome deriva da palavra grega "plastikós", que significa "dar forma".
Ora, se assim o é, qualquer procedimento inserido dentro dessa especialidade é, necessariamente reparador estético.
Essas considerações se fazem necessárias para entendermos que até mesmo a criança, não importa a sua idade, se beneficia, reparadora e estéticamente, da cirurgia plástica. Dois são os campos principais da atuação da cirurgia plástica entre paciente de baixa idade: os defeitos congénitos e as queimaduras.
Mercê da ampla divulgação dos procedimentos médicos, hoje já não encontramos, com tanta frequência quanto há algumas décadas atrás, adolescentes e adultos com defeitos congênitos não tratados e que lhe traziam enorme desconforto social, complexos e limitações no estudo e no trabalho. Especialmente as fissuras faciais e a presença de alterações nos dedos das mãos e pés, principalmente as sindactilias (dedos que permanecem fundidos, um no outro, no nascimento) e as polidatilias (presença de dedos extranumerários - a mais - nas mãos e nos pés).
Segundo pesquisas feitas por Oldfield e Tate, em 1964 existia uma criança com algum tipo de deformidade congênita, em cada 50 recém-nascidos vivos. Hoje, em que pese não termos encontrado levantamento bem recente, podemos afirmar que tal incidência deve ter se reduzido bastante. Isso em função de uma melhor assistência pré-natal, evitando-se para as futuras mamâes algumas situações provocadoras de deformidades congênitas em seus filhos.
Na formação do novo ser, no ventre materno, pode-se dizer, esquematicamente, que os três primeiros meses são os de formação da criança. Ao final de três meses, o feto já se encontra praticamente formado, passando os seis meses restantes apenas em desenvolvimento, adquirindo condições para sobreviver fora do ventre materno.
Portanto, é no primeiro trimestre que situações externas podem ocorrer, desencadeando más-formações congênitas para as quais já existia um gene especifico, mas que só poderia desencadear o defeito se estimulado por alguma causa externa.
Essas causas podem ser: desnutrição, desequilíbrios - para mais ou para menos - de vitaminas ou sais minerais, tabagismo, problemas hormonais da mãe como, por exemplo, uma diabete descompensada ou uma alteração de hormônio tireoidiano. Doenças infecciosas, especialmente as viróticas, são grandemente responsáveis por alterações fetais. Mas também não se pode deixar de dar uma grande importância aos fatores psicológicos, que podem provocar alterações bioquímicas no organismo da mãe e consequentemente alteração fetal. Sem dúvida um grande problema para os dias atuais, repletos de stress, angústias existenciais e depressões. Daí a grande importância de se procurar dar à mulher grávida, especialmente nos três primeiros meses de gestação, uma dieta balanceada, evitar tabagismo e o uso indiscriminado de medicamentos, sejam eles quais forem e especialmente proporcionar a essas mulheres um clima de paz e tranquilidade que proteja o seu filho e a ela própria.
Se, porém ocorrem deformidades congênitas, a correção adequada e na idade correta são fundamentais para o sucesso do tratamento e, sobretudo para evitar, para a criança e seus familiares, traumas psicológicos mais graves que irão se acentuar se a pessoa cresce sendo vítima de críticas e comentários jocosos e de péssimo gosto por parte dos amigos e companheiros de escola ou trabalho. Entre as principais deformidades congênitas ligadas à Cirurgia Plástica catalogamos as seguintes, com as respectivas características e época ideal de tratamento:
A)Fissuras labiais e palatinas
Também chamadas de lábio leporino (leporino = semelhante à lebre, já que coelhos têm o lábio naturalmente fendido) e goela de lobo, que é a abertura maior ou menor no céu da boca. Essas patologias devem ser avaliadas precocemente pelos especialistas, de preferência logo após o nascimento, para se estabelecer um programa de tratamento que inclui, não só a cirurgia, mas a utilização de próteses que previnem o agravamento das deformidades. Geralmente se opera a fissura labial entre aos três meses de idade e a fissura palatina entre 1 ano e até 1 ano e meio de idade. Contudo, mesmo se a pessoa já passou desta idade, não se deve esperar para procurar o tratamento imediato.
B)Microtia ou agenesia de orelha
É a ausência parcial ou total do pavilhão auricular. quase sempre ocorre somente de um dos lados. o tratamento se inicia geralmente aos 6 anos de idade, quando já houve o completo desenvolvimento da orelha. Pode ser feito através do uso de enxertos de cartilagens retirados das costelas ou com próteses de silicone. Alguns cirurgiões condenam o uso destas próteses, porém quando se sabe utilizá-las, dão excelentes resultados sem necessidade de se fazer uma cirurgia bem maior e mais complexa, como é a retirada de enxerto cartilaginoso. Por vezes necessita-se de mais de uma cirurgia para se obter o melhor resultado.
C)Orelhas em abano
É uma deformidade mais leve, dos pavilhões auriculares, ocorrendo quase sempre bilateralmente. É caracterizada, sobretudo pela ausência ou atenuação da dobra chamada anti-helix, aquela que existe paralelamente à borda externa da orelha. Sem ela a orelha fica como uma concha plana e bastante afastada da cabeça, dando um aspecto inestético ao seu portador, provocando um número de apelidos e gozação por parte de seus companheiros.
A cirurgia deve ser realizada apartir dos 6 anos de idade, evitando-se traumas psicológicos que poderão advir. Ela é relativamente simples e o resultado muito satisfatório.
D)Epicanto
É uma prega que se forma no canto interno dos olhos, às vezes reduzindo sensivelmente o campo visual da criança. Pode estar ligado a problemas mentais, necessitando por isso de uma boa avaliação neurológica. A cirurgia pode ser feita bem precocemente, mas o ideal é que se faça em torno dos três anos de idade, quando o desenvolvimento da criança permite um ato operatório mais tranquilo e seguro..
E)Sindactilia e Polidactilia
São deformidades dos dedos das mãos ou dos pés, caracterizadas, a primeira pela falta de separação dos dedos, podendo ser de dois ou mais. Comumente é só de dois dedos. E a segunda, polidactilia, pela presença de dedos extranumerários na mesma mão ou pé. O tratamento deve ser realizado após 1 ano de idade, sendo que no caso de polidactilia é muito importante estabelecer-se qual é o dedo melhor formado, evitando-se remover aquele aparentemente em excesso, mas que pode ser exatamente o que irá apresentar melhor função.
F)Nevus
São as pintas, que podem ser pequenas, mas também gigantes, por vezes tomando conta do tórax, dorso e abdomen da criança. E às vezes grande partes dos membros. Essas lesões, quando pequenas são facilmente tratáveis. Quando gigantes, exigem um grande número de intervenções para remoções parceladas - já que a retirada total pode deixar graves sequelas. com o surgimento das próteses expansoras de tecidos, consegue-se fazer amplas remoções em um só tempo cirúrgico.
Ora, se assim o é, qualquer procedimento inserido dentro dessa especialidade é, necessariamente reparador estético.
Essas considerações se fazem necessárias para entendermos que até mesmo a criança, não importa a sua idade, se beneficia, reparadora e estéticamente, da cirurgia plástica. Dois são os campos principais da atuação da cirurgia plástica entre paciente de baixa idade: os defeitos congénitos e as queimaduras.
Mercê da ampla divulgação dos procedimentos médicos, hoje já não encontramos, com tanta frequência quanto há algumas décadas atrás, adolescentes e adultos com defeitos congênitos não tratados e que lhe traziam enorme desconforto social, complexos e limitações no estudo e no trabalho. Especialmente as fissuras faciais e a presença de alterações nos dedos das mãos e pés, principalmente as sindactilias (dedos que permanecem fundidos, um no outro, no nascimento) e as polidatilias (presença de dedos extranumerários - a mais - nas mãos e nos pés).
Segundo pesquisas feitas por Oldfield e Tate, em 1964 existia uma criança com algum tipo de deformidade congênita, em cada 50 recém-nascidos vivos. Hoje, em que pese não termos encontrado levantamento bem recente, podemos afirmar que tal incidência deve ter se reduzido bastante. Isso em função de uma melhor assistência pré-natal, evitando-se para as futuras mamâes algumas situações provocadoras de deformidades congênitas em seus filhos.
Na formação do novo ser, no ventre materno, pode-se dizer, esquematicamente, que os três primeiros meses são os de formação da criança. Ao final de três meses, o feto já se encontra praticamente formado, passando os seis meses restantes apenas em desenvolvimento, adquirindo condições para sobreviver fora do ventre materno.
Portanto, é no primeiro trimestre que situações externas podem ocorrer, desencadeando más-formações congênitas para as quais já existia um gene especifico, mas que só poderia desencadear o defeito se estimulado por alguma causa externa.
Essas causas podem ser: desnutrição, desequilíbrios - para mais ou para menos - de vitaminas ou sais minerais, tabagismo, problemas hormonais da mãe como, por exemplo, uma diabete descompensada ou uma alteração de hormônio tireoidiano. Doenças infecciosas, especialmente as viróticas, são grandemente responsáveis por alterações fetais. Mas também não se pode deixar de dar uma grande importância aos fatores psicológicos, que podem provocar alterações bioquímicas no organismo da mãe e consequentemente alteração fetal. Sem dúvida um grande problema para os dias atuais, repletos de stress, angústias existenciais e depressões. Daí a grande importância de se procurar dar à mulher grávida, especialmente nos três primeiros meses de gestação, uma dieta balanceada, evitar tabagismo e o uso indiscriminado de medicamentos, sejam eles quais forem e especialmente proporcionar a essas mulheres um clima de paz e tranquilidade que proteja o seu filho e a ela própria.
Se, porém ocorrem deformidades congênitas, a correção adequada e na idade correta são fundamentais para o sucesso do tratamento e, sobretudo para evitar, para a criança e seus familiares, traumas psicológicos mais graves que irão se acentuar se a pessoa cresce sendo vítima de críticas e comentários jocosos e de péssimo gosto por parte dos amigos e companheiros de escola ou trabalho. Entre as principais deformidades congênitas ligadas à Cirurgia Plástica catalogamos as seguintes, com as respectivas características e época ideal de tratamento:
A)Fissuras labiais e palatinas
Também chamadas de lábio leporino (leporino = semelhante à lebre, já que coelhos têm o lábio naturalmente fendido) e goela de lobo, que é a abertura maior ou menor no céu da boca. Essas patologias devem ser avaliadas precocemente pelos especialistas, de preferência logo após o nascimento, para se estabelecer um programa de tratamento que inclui, não só a cirurgia, mas a utilização de próteses que previnem o agravamento das deformidades. Geralmente se opera a fissura labial entre aos três meses de idade e a fissura palatina entre 1 ano e até 1 ano e meio de idade. Contudo, mesmo se a pessoa já passou desta idade, não se deve esperar para procurar o tratamento imediato.
B)Microtia ou agenesia de orelha
É a ausência parcial ou total do pavilhão auricular. quase sempre ocorre somente de um dos lados. o tratamento se inicia geralmente aos 6 anos de idade, quando já houve o completo desenvolvimento da orelha. Pode ser feito através do uso de enxertos de cartilagens retirados das costelas ou com próteses de silicone. Alguns cirurgiões condenam o uso destas próteses, porém quando se sabe utilizá-las, dão excelentes resultados sem necessidade de se fazer uma cirurgia bem maior e mais complexa, como é a retirada de enxerto cartilaginoso. Por vezes necessita-se de mais de uma cirurgia para se obter o melhor resultado.
C)Orelhas em abano
É uma deformidade mais leve, dos pavilhões auriculares, ocorrendo quase sempre bilateralmente. É caracterizada, sobretudo pela ausência ou atenuação da dobra chamada anti-helix, aquela que existe paralelamente à borda externa da orelha. Sem ela a orelha fica como uma concha plana e bastante afastada da cabeça, dando um aspecto inestético ao seu portador, provocando um número de apelidos e gozação por parte de seus companheiros.
A cirurgia deve ser realizada apartir dos 6 anos de idade, evitando-se traumas psicológicos que poderão advir. Ela é relativamente simples e o resultado muito satisfatório.
D)Epicanto
É uma prega que se forma no canto interno dos olhos, às vezes reduzindo sensivelmente o campo visual da criança. Pode estar ligado a problemas mentais, necessitando por isso de uma boa avaliação neurológica. A cirurgia pode ser feita bem precocemente, mas o ideal é que se faça em torno dos três anos de idade, quando o desenvolvimento da criança permite um ato operatório mais tranquilo e seguro..
E)Sindactilia e Polidactilia
São deformidades dos dedos das mãos ou dos pés, caracterizadas, a primeira pela falta de separação dos dedos, podendo ser de dois ou mais. Comumente é só de dois dedos. E a segunda, polidactilia, pela presença de dedos extranumerários na mesma mão ou pé. O tratamento deve ser realizado após 1 ano de idade, sendo que no caso de polidactilia é muito importante estabelecer-se qual é o dedo melhor formado, evitando-se remover aquele aparentemente em excesso, mas que pode ser exatamente o que irá apresentar melhor função.
F)Nevus
São as pintas, que podem ser pequenas, mas também gigantes, por vezes tomando conta do tórax, dorso e abdomen da criança. E às vezes grande partes dos membros. Essas lesões, quando pequenas são facilmente tratáveis. Quando gigantes, exigem um grande número de intervenções para remoções parceladas - já que a retirada total pode deixar graves sequelas. com o surgimento das próteses expansoras de tecidos, consegue-se fazer amplas remoções em um só tempo cirúrgico.



